Crítica: “evermore” de Taylor Swift é um diário nostálgico sobre términos e recomeços

Taylor sempre foi conhecida por suas doces canções que soam como um conto de fadas musical e desde então vem sendo reconhecida como uma grande compositora, isso por suas letras tão íntimas sobre romances e desilusões, mas boa parte delas com essa visão jovem e ingênua sobre a vida, então veio “folklore” e, mais tarde, o “evermore”, amadurecendo a discografia da cantora.

Reprodução / (Foto: Beth Gabarrant)

Nota: 7,8

O disco “evermore” foi lançado em 11 de dezembro de 2020, dois dias antes do aniversário da artista. Taylor afirmou, através do Twitter, que o álbum é, na verdade, um presente para os seus fãs e para si mesma. Segundo a própria cantora:

Desde os 13 anos, estou animada em fazer 31 anos porque é meu número da sorte ao contrário, e é por isso que eu queria surpreendê-lo com isso agora.

Assim como folklore, seu oitavo álbum, evermore seguiu o mesmo caminho artístico, tanto na sonoridade quanto na produção e composição. Swift trabalhou com Aaron Dessner (do The National), Jack Antonoff, William Bowery (Joe Alwin) e Bon Iver. As canções exploram pontos interessantes dos vocais da artista, que mostra um bom desempenho vocal.

O folk trabalhado aqui apura ainda mais as letras das canções, que se entrelaçam e contam uma história mágica e nostálgica sobre amores que se encontram em algum momento e tocam o ouvinte, que é levado pela narrativa melancólica, mas esperançosa, que Taylor Swift ambienta.

O disco é aberto com “willow”, uma canção mágica com referências da música celta. Taylor narra uma série de cenários místicos onde o plano de fundo é esse relacionamento “mágico” que cega seu instinto de razão, deixando-a seguir apenas pela emoção. Taylor descreve a faixa como se fosse um feitiço lançado para que alguém se apaixone por você.

“champagne problems” chega logo em seguida, desfazendo toda a magia forjada em “willow”. A canção mostra a perspectiva de alguém que recusou um pedido de casamento por não conseguir corresponder os sentimentos de seu noivo. A canção ganha um tom mais melancólico a cada minuto que passa, principalmente nos versos: “Mas você vai encontrar a pessoa certa e ela vai remendar sua tapeçaria que eu rasguei e segurar sua mão enquanto dança.

Ainda sobre amor, temos “gold rush” em seguida. A sonoridade lembra um pouco a sua era “1989”. A letra e a melodia andam juntas nesse sonho adolescente que é desejar o cara mais bonito da cidade, esse desejado por todas. Taylor disse em entrevista: “A favorita do Jack é a “gold rush”, que acontece dentro de um único devaneio onde você se perde em pensamentos por um minuto e depois acorda.

“‘tis the damn season” é a quarta canção do disco, onde Taylor insere a personagem Dorothea, que narra um feriado em que retornou à sua cidade natal e reencontrou um antigo amor que ainda mexe muito com seus sentimentos, mas as lembranças doces carregam outras não tão boas assim.

Fonte: @augustswiftaway

“tolerate it” traz uma carga emocional um tanto pesada. Taylor descreve uma relação fria onde ela percebe que o amor já não é mais como antes e seu namorado está apenas empurrando a relação com a barriga. Nos versos a cantora diz: “Sei que meu amor deve ser celebrado, mas você o tolera.

“no body, no crime” quebra a melancolia e traz um clima de mistério para a narrativa, isso ao som do bom e velho country. Em parceria com as irmãs HAIM, Taylor explora esse universo investigativo, usando de fontes reais para criar um cenário imaginativo. A canção também explora a infidelidade que, uma vez não provada, não se torna real.

“happiness” retorna à boa e velha melancolia. A canção explora sentimentos íntimos de quando se termina uma relação de forma repentina, a dor que fica é maior. Taylor canta “Haverá felicidade depois de você, mas houve felicidade por causa”, mas o grande ponto da canção é sobre o que resta de uma relação quando sobra apenas nós mesmos.

Fonte: @augustswiftaway

Logo após vem “dorothea”, canção que continua “‘tis the damn season”. O amante de Dorothea dedica a ela seus pensamentos e declara seu amor nessa linda canção. O eu lírico segue apaixonado por ela (mesmo após tempos sem a encontrar) e pede pra que fique com ele. Taylor utiliza vocais mais graves na canção para ambientar melhor o cenário proposto.

“coney island” nos remete ao mesmo sentimento de “tolerate it” e “happiness”, é quase como se a história fosse contada ao contrário. Taylor, em parceria com The National”, narra o sentimento amargo que fica quando estamos prestes a terminar uma relação. Um trecho muito interessante é “E se este é o “para sempre” como chegamos aqui tão cedo?

A décima faixa se chama “ivy”, essa aborda um tema bem interessante: o adultério. Taylor narra a história de uma mulher casada que não se sente mais amada por seu marido, mas encontra o amor em um amante mais novo. Taylor descreve essa relação como “o encontro da alma com os ossos” de tão avassaladora. A melodia, por algum motivo, é a mais romântica de todo o disco.

Fonte: @augustswiftaway

Depois temos a sensual e romântica “cowboy like me”. A canção se assemelha ao trabalho de Kacey Musgraves, cantora de Country, já sua letra fala sobre um romance dificultoso, pois nos remete ao cenário de velho oeste, com cowboys e muita bandidagem. Uma clássica referência a Bonnie e Clyde, só que do faroeste.

Revisitando a era “Lover” podemos perceber boas referências em “long story short”, que revisita todo o período de 2016 e 2017 quando Taylor foi hostilizada pela mídia que tentou acabar coma sua imagem. A cantora diz que o amor de Joe Alwin foi muito importante para ela neste momento sombrio.

“morjore” é uma faixa cuja melodia é melancólica, sombria, mas um tanto esperançosa também. Há duas interpretações, a primeira sugere que seria uma referência à Marjore West, uma garota desaparecida nos anos 30 na Pennsylvania, ela tinha uma irmã chamada Dorothea — já a segunda seria sobre a cantora de ópera que faleceu em 2003 e que inspirou Taylor a virar uma artista.

Fonte: @augustswiftaway

“closure” soa um pouco distante das outras faixas em relação ao instrumental, já sua letra refere-se à antiga amizade de Taylor com Karlie Kloss. Taylor trata de encerrar esse assunto pendente em sua vida e se despede dessa amizade, que um dia foi algo bom, mas hoje não significa mais nada.

O disco é encerrado com a faixa título, essa em colaboração com Bon Iver com quem Taylor já colaborou no folklore de 2020. A canção trata de assuntos sérios, como saúde mental e Taylor sugere que passou por um período de depressão, de onde pensou que jamais sairia, mas entendeu que os sentimentos são como estações e sempre mudam. É uma linda canção sobre esperança no amanhã.

“evermore” é um grande presente ao fandom de Taylor e àqueles que gostam de refletir sobre seus sentimentos, tendo algo, como boa música, para poder se inspirar nos tempos sombrios. A própria artista cita que este é o “álbum dos encerramentos”, em entrevista para a Apple Music Awards 2020 Taylor declarou: “Evermore lida muito com finais de todos os tipos, formas e tamanhos, todos os tipos de maneiras que podemos terminar um relacionamento, uma amizade, algo tóxico, e a dor que acompanha isso.”

Ainda que seja doloroso, algumas situações precisam chegar ao fim para que possamos começar algo ainda melhor após. As perdas aqui são sentimentais e Taylor afirma que tudo não passa de um momento e que nós podemos nos reconstruir.

Interessado no álbum? Você pode aquirir ele aqui: Taylor Swift Official Online Store – Taylor Swift Official Store

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